Faltando pouco mais de um mês para entregar a versão mais-que-final da minha tese, meu computador morreu. Mó-rreu, como diria aquele personagem. Pifou. De vez. Ponto final. Sem conserto possível. Não vai funcionar nunca mais. Fim da linha. É isso aí.
Eis que de uma hora para a outra eu me vi sem computador. Pior. Sem-acesso. Sem-rede. Sem-nem-o-teclado-para-escrever-minha-tese. Sem nada.
E que problema é ficar sem computador! Sem televisão, já fiquei mais de seis meses. Sem DVD, mais que isso. Sem rádio, meses também. Sem microondas, são anos, porque aliás nunca tive. Sem geladeira… não, ok, sem geladeira não dá. Mas o computador já está num patamar de necessidade quase igual ao da geladeira!!!
Veja bem: eu poderia ter sobrevivido por algum tempo sem internet. Provavelmente estaria querendo socar o monitor a cada quinze minutos, quicando para lá e para cá por não poder ver os e-mails, e acompanhar a crise no Irã, e ver as celebridades nos sites de fofoca, e conferir a grafia daquela palavra mais exótica, e até, por que não, fazer pesquisa de preços para poder comprar um computador novo, ora bolas. Mas teria ao meu alcance a maravilha tecnológica que é o processador de texto, aliado à mágica da vida moderna que é o teclado, equipamentos sem os quais não há a menor possibilidade de eu conseguir terminar a minha tese um dia, que dirá dentro do prazo.
Mas não, nem isso. De uma hora para a outra, me vi de volta aos tempos pré-informáticos, tendo de contar apenas com lápis ou caneta e uma folha em branco para escrever. Tempos pré-históricos, parecem agora. Que desperdício de tempo, caramba, escrever e riscar e passar a limpo! E a tendinite? Desacostumada, a mão dói, depois de apenas algumas páginas. Mais algumas, e a dor se torna paralisante. O que teclando incomoda, à mão impossibilita, imobiliza, paralisa.
Para minha sorte, eu descobri que tenho uma amiga que tinha um computador sobrando em casa. Tinha. Porque agora ele está comigo, quebrando um megagalho. E eu posso voltar a escrever minha tese, e também a ver e-mails, acompanhar a crise no Irã, ver as celebridades nos sites de fofoca, pesquisar grafias de palavras obscuras, escrever blogs, e todas essas coisas que me distraem do propósito inicial que era escrever a tese.