01/09/2009

Tempo, logo existo

Ouço o conselho de uma amiga: “A tese vai acabar, e no começo vai te dar um vazio, uma coisa de não saber o que fazer com tanto tempo disponível, uma sensação de falta.” E penso.  Será que vai mesmo?

Escrever uma tese é uma angústia. E boa parte da angústia de escrever uma tese vem do fato de escrever uma tese é uma angústia. Ou seja, a angústia se autoalimenta e se perpetua. A escrita pode ser intermitente, ora frenética, ora inexistente, mas a angústia é constante. Insistente. Espaçosa.

E terminada a tese – sim, boa notícia, acabei, acabou! – o que fica não é um vazio. É uma leveza. Uma liberdade. Foi-se a angústia, e agora o espaço que ela ocupava se revela, não vazio, mas amplo. Pronto a ser preenchido com qualquer coisa que eu quiser – e que alegria!

O espaço da angústia se faz tempo – livre, ou não, conforme a preferência e a necessidade do momento. Tempo para fazer tantas coisas que estavam relegadas a um futuro distante, vago e nebulo, ‘pós-tese’.

Tempo até para escrever blog. :)

18/06/2009

Como dói ficar sem computador

 Faltando pouco mais de um mês para entregar a versão mais-que-final da minha tese, meu computador morreu. Mó-rreu, como diria aquele personagem. Pifou. De vez. Ponto final. Sem conserto possível. Não vai funcionar nunca mais. Fim da linha. É isso aí.

Eis que de uma hora para a outra eu me vi sem computador. Pior. Sem-acesso. Sem-rede. Sem-nem-o-teclado-para-escrever-minha-tese. Sem nada.

E que problema é ficar sem computador! Sem televisão, já fiquei mais de seis meses. Sem DVD, mais que isso. Sem rádio, meses também. Sem microondas, são anos, porque aliás nunca tive. Sem geladeira… não, ok, sem geladeira não dá. Mas o computador já está num patamar de necessidade quase igual ao da geladeira!!!

Veja bem: eu poderia ter sobrevivido por algum tempo sem internet. Provavelmente estaria querendo socar o monitor a cada quinze minutos, quicando para lá e para cá por não poder ver os e-mails, e acompanhar a crise no Irã, e ver as celebridades nos sites de fofoca, e conferir a grafia daquela palavra mais exótica, e até, por que não, fazer pesquisa de preços para poder comprar um computador novo, ora bolas. Mas teria ao meu alcance a maravilha tecnológica que é o processador de texto, aliado à mágica da vida moderna que é o teclado, equipamentos sem os quais não há a menor possibilidade de eu conseguir terminar a minha tese um dia, que dirá dentro do prazo.

Mas não, nem isso. De uma hora para a outra, me vi de volta aos tempos pré-informáticos, tendo de contar apenas com lápis ou caneta e uma folha em branco para escrever. Tempos pré-históricos, parecem agora. Que desperdício de tempo, caramba, escrever e riscar e passar a limpo! E a tendinite? Desacostumada, a mão dói, depois de apenas algumas páginas. Mais algumas, e a dor se torna paralisante. O que teclando incomoda, à mão impossibilita, imobiliza, paralisa.

Para minha sorte, eu descobri que tenho uma amiga que tinha um computador sobrando em casa. Tinha. Porque agora ele está comigo, quebrando um megagalho. E eu posso voltar a escrever minha tese, e também a ver e-mails, acompanhar a crise no Irã, ver as celebridades nos sites de fofoca, pesquisar grafias de palavras obscuras, escrever blogs, e todas essas coisas que me distraem do propósito inicial que era escrever a tese.

31/03/2009

A cidade dos passageiros invísíveis

Em Rio de Janeiro, Grande Khan, há um costume curioso. Boa parte da população depende, para se locomover pela cidade, de uma espécie de besta-fera, que circula pelas ruas em bandos pouco ordenados. Seria de se esperar, Grande Khan, que esse animal, cuja existência é vital para tantos habitantes, fosse devidamente domesticado e treinado. Mas não é assim.
Voluntariosos e imprevisíveis, os animais demonstram a todo momento seu desprezo pelos seres que os exploram. Sem poder sobre seus itinerários, as bestas seguem seu rumo, irritadiças e rebeldes, rosnando e bufando para os cidadãos que deveriam transportar. Se lhes dá na telha, ignoram os pontos de parada distribuídos ao longo da rota, deixando os moradores desamparados. Como apreciam andar em bandos, às vezes são dois ou mesmo três que, à vista do cidadão que lhes faz o sinal universal, solicitando transporte, mostram os dentes e se afastam o mais que podem, deixando clara a rebelião. Nesse estado de espírito, só param onde lhes apetece. Por vezes, nem o morador que está sendo transportado e já chegou a seu destino consegue descer, e é arrastado pela besta-fera.
Dependentes desses animais, os cidadãos de Rio de Janeiro aceitam seu destino quase que com resignação. Não se rebelam; não se organizam. Às vezes, uma ou outra besta sofre castigo ou represália, mas o sistema não é alterado. E os moradores de Rio de Janeiro permanecem reféns desse animal chamado ônibus…

31/03/2009

Então é isso

Mais uma vez, tentando…

Nunca levo essa coisa de blog adiante, mas enfim…

É isso.